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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A Paz...com record de venda de armas


Obama, antes de ser presidente dos EUA levou o mundo a acreditar que tudo poderia ser diferente. Finalmente os americanos teriam acesso a cuidados de saúde mesmo que não pudessem pagar um seguro de saúde, mas Obama também cativou o mundo vendendo a ideia do fim da guerra. 

Obama, por diversas vezes, vendeu a ideia do fim da guerra no Afeganistão, com a retirada das tropas, com o desmantelamento da base em Guantánamo, Cuba, e com a erradicação de armamento nuclear. Pois é, ao fim do um mandato, Obama não conseguiu cumprir nem um destes objetivos. Será culpa de interesses, de um sistema tão bem montado que nem o presidente da maior potência mundial consegue penetrar? Cada vez mais parece ser esse o caso. 

A guerra no Afeganistão está longe de acabar e infelizmente em 2012 o noticiário já não é noticiário sem que haja mortes em atentados naquele país que envolvam forças militares americanas. A base de Guantánamo continua a ser lugar de torturas, que todos sabem existir mas que o processo de investigação foi encerrado por, imaginem, falta de provas. Não chegam vídeos, não chegam fotografias...seria preciso alguns deles admitirem que o fizeram? A erradicação do armamento nuclear parece ser impossível. 



A Russia só larga os mísseis se os americanos largarem os deles, e vice-versa. Vai-se andando neste conversa onde, ora eu elimino 5 ogivas, ora tu agora eliminas outras 5, até se chegar ao ponto em que estamos. Ninguém quer desmantelar mais nada com medo de ficar em considerável desvantagem em relação ao outro. Mais, a preocupação com a Coreia do Norte e Irão chegarem a construir uma ogiva parece ter posto um travão definitivo para se desmantelar as ogivas, servindo agora de desculpa. 

Obama vendeu ao mundo um fim da guerra, e ainda assim 2011 foi o ano em que os EUA mais armamento venderam na sua história. As exportações de armamento triplicaram em relação a 2010. Num mercado que vale 85.3 mil milhões de dólares, os EUA representaram 66.3 mil milhões de dólares desse mercado. Aproximadamente 78% de todo o negócio de armas teve como responsável os EUA. O segundo lugar pertence à Rússia, com negócios a valarem 4.8 mil milhões de dólares, um número muito longe dos EUA. Os EUA vendem 14 vezes mais que o segundo, a Russia. Tudo pela...paz! 



Curiosamente, ninguém na comunidade internacional vai contra isto. Principalmente porque é essa comunidade internacional que mal ou bem acaba por comprar esse armamento. Este crescimento nas exportações ficou a dever-se a compras do Japão, Arábia Saudita e um grande crescimento de exportações para a India, com quem nem sequer havia relações comerciais do género. 

Lá para 2020 temos tudo preparado para entrar em guerra com armas americanas.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A Segurança Social nas lonas


Se há coisa em Portugal que cresce com a nossa dívida é o desemprego. Medidas estão a ser tomadas, diz o governo. Estão, é certo, mas não reparam é que todas as medidas tomadas até agora foram autênticos tiros no pé que estão a aumentar o fosso. Horas nocturnas pagas a 25%, feriados a 50%, bancos de horas e outras ideias brilhantes...para um país que fosse desenvolvido. 



Alguém que receba o ordenado mínimo (485€), tinha nas horas nocturnas e nos feriados uma ajuda essencial no final do mês. Mas não bastou ao governo acabar com alguns feriados, teve ainda a ideia de nos que ainda sobram, permitir às empresas pagar menos aos colaboradores. Num Portugal onde o ordenado mínimo fosse 600€, até admitia dar o corpo ao manifesto. Agora numa crise onde o trabalho precário e ordenado mínimo prolífera, é preciso rebaixar a condição humana a feriados pagos a 50%? 

Para o ordenado mínimo os feriados representavam mais 60€ (apróx.) por feriado no final do mês. Era ajuda ESSENCIAL para quem já de si ganha tão pouco. Poderá o governo escapar-se com "mas a lei permite que as empresas continuassem a pagar o pagavam antes". Pois, e qual é a empresa que não se serve da crise, mesmo tendo lucros, para reduzir onde puder? Se a abébia está dada, a empresa aproveita. As mesmas empresas que têm gestores montados em mercedes, com cartões e seu plafond, com mais e mais regalias são aquelas empresas que dizem que a crise exige uma redução de custos. E conde se corta? Nos mercedes? Não que isso dá estilo...vamos cortar em quem ganha ordenado mínimo. 



O pior é que o governo pensa que é uma boa medida, com todos os indicadores e irem no sentido contrário. O emprego aumenta, principalmente entre jovens e recém-licenciados e é o próprio estado o mais castigado destes resultados. 

A Segurança Social aumentou a despesa com subsídios de desemprego em 22,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Traduzindo, está a gastar mais 273 milhões de euros que o ano passado. Desde o início do ano já gastou 1480 milhões de euros com estes subsídios, resultante dos 15% de taxa de desemprego, o valor mais alto de sempre, apesar deste não ser o valor real. Sobre o valor real (mais de 22%) já aqui falei. 

Consequência directa do aumento do desemprego, e dos gastos da Segurança Social é que as contribuições também descem. Essa descida vai nos 4.4%, e a continuar assim Vítor Gaspar vai ter de tirar da cartola mais um fundo de pensões para juntar à Segurança Social. Quantos não desejam já a concretização da profecia Maia?

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Itália paga dívida pública a vender História


Ninguém duvida que se a Espanha pedir ajuda externa, como tudo leva a crer que irá pedir, a pressão dos mercados vão-se virar para a Itália, que segundo alguns analistas está numa situação pior ainda que a de Espanha. Fiquei então curioso quando Vittorio Grilli, ministro da economia italiano, disse ter um plano para reduzir em 20% a dívida pública do seu país. E que plano é esse? Nada mais do que a venda de edifícios históricos. 

Recordamos que a Itália já uma fez algo semelhante quando colocou à venda 394 edifícios históricos no valor de 3.5 mil milhões de euros. Qual foi o resultado? Conseguiu vender 140 edifícios no valor de 860 milhões de euros. Desta vez Grilli está mais ambicioso. Tem 350 edifícios à venda, avaliados em 42 mil milhões de euros. O ministro espera conseguir anualmente entre 15 a 20 mil milhões de euros, num negócio que pode (mas não vai) ascender a 1% do PIB, além de reduzir a dívida pública em 20%. No total, o governo tem imóveis que valem entre 240 e 320 mil milhões de euros. A dívida pública italiana passa actualmente os 123% do PIB. 



Aqui pode haver opiniões para todos os gostos. Aqueles que, na minha opinião estupidamente, dizem que o estado deve vender património cultural para saldar dívidas. Vender história e identidade para pagar parvoíces de anos anteriores. Vamos imaginar que têm razão. Então se num ano de menos crise já tentaram vender património e os resultados foram devastadores, o que lhes leva a crer que em plena segunda maior crise italiana a seguir à II Guerra Mundial conseguirão melhores resultados? Se não conseguiram vender antes vão vender agora? A resposta é óbvia! 

Mas e pode um estado vender pedaços da identidade de um país para pagar erros do passado? Pelos vistos pode. A história de um país cabe ao estado preservar e conservar, e permitir a visita desses locais gratuitamente. Privatizar a história além de toda a falta de ética, vai levar a que essa história se torne num negócio. "Quer saber e ver a história do seu país? Então tem de pagar entrada." 

Como está Portugal no meio disto? Bem...por enquanto ainda não se lembraram de vender o Mosteiro dos Jerónimos...por enquanto disse eu! Mas velho ou novo, estudante ou curioso, se quer saber da história do seu país tem de pagar entrada. Tem de pagar entrada ao Estado, porque aquilo que já paga de impostos não chega para que o Estado permita que conheçamos a história do nosso país gratuitamente. 



A solução para crises não está na venda da história de um país. Por exemplo começar por aqui: os deputados italianos são os mais bem pagos da europa, e além do seu salário recebem mensalmente 5000€ para secretariado ou pesquisa, mesmo que escolham trabalhar com o secretariado do parlamento (que já é pago pelo estado, e por isso gratuito) ou não empregar ninguém. Domenico Scilipoti, um deputado de 53 anos, recebe mais de 15.000€ mensais + os 5000€ para secretariado. 

E além de, como no nosso parlamento, terem refeições a preços meramente simbólicos, têm ainda cabeleiros, barbeiros e manicuras. Tiveram até de fazer uma casa-de-banho especial para Vladimir Luxuria. Porquê? Porque mudou de sexo, e não é bem vinda/o à casa-de-banhos das senhoras e senhores. Os parlamentares apenas precisam de exercer um mandato para ter direito a toda a pensão da reforma, enquanto que o comum dos italianos tem de trabalhar uma vida inteiro, para um sector de pensões privado. 

Além disso, bilhetes para filmes, encargos como telecomunicações, ópera, ou outros bilhetes para espetáculos são à descrição. É pedir e o estado paga. Mas não...tudo isto é necessário para a sobrevivência de Itália...vamos é vender os edifícios históricos.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Nós e as Troikas


Há um problema claro com o actual governo. Bem, na verdade há vários problemas com o actual governo. Mas há um que dificilmente se consegue explicar: o facto de o governo ver todas as casas a arder, mas como o fogo ainda não chegou à sua casa, ele mantem-se quietos, a ver se o fogo chega ou não há nossa casa. Mais, imaginando que o governo é uma casa com primeiro andar, o rés do chão está em chamas, mas como estão todos a dormir no primeiro andar, quando acordarem com o cheiro a queimado, será tarde demais. 

O INE divulgou recentemente que no segundo trimestre deste ano o PIB caiu 3,3%, para um valor muito próximo de 1999. Que aconteceu em 1999? Tivemos a brilhante ideia de nos juntarmos ao euro, sem estarmos minimamente preparados para isso. Hoje pagamos essa factura, juntamente com outros países que não estavam preparados para entrar no Euro (Grécia e Espanha). O nosso PIB está em queda há 6 trimestres seguidos 



Há alguma razão para ainda hoje não termos Suécia e Dinamarca no Euro. Porque os países nórdicos percebem de economia, e conseguiram ver, a longo prazo, que a moeda mais tarde ou mais cedo ia estar por um fio, ao deixarem entrar países sem uma economia sólida e robusta. Poderão dizer que a Finlândia está no euro. Pois está, e só Jyrki Katainen sabe o quanto o país deve estar arrependido de ter entrado. Na Suécia a não entrada no euro foi decidida por plebiscito, já na Dinamarca foi por referendo. Num país como Portugal, a entrada no euro em 1999 teve como consequência imediata a descida do PIB, e o mesmo se passa hoje, quando o euro está por um fio. 

Depois há o problema do nosso desemprego. Cálculo que num futuro não muito distante, a notícia será sobre alguém que tem emprego, mais do que sobre alguém que esteja desempregado. Segundo o INE há aproximadamente 829.600 desempregados (15%), num número a subir a cada actualização de estatística. Mas isto é um número falso, muito falso! Porque este é o número de pessoas a receberem o subsidio de desemprego. E aqueles que já não o recebem? Bem, nesse caso temos em Portugal 1.300.000 de desempregados, ou seja 22,8% de taxa REAL de desemprego. E qual foi até agora as medidas tomadas pelo governo? Foi apenas uma: emigrem e não voltem mais! 



Comparativamente ao segundo trimestre de 2011, foram extintos quase 205 mil empregos, e há mais 152 mil desempregados. Por dia, foram extintos 561 postos de trabalho e  416 novos desempregados. POR DIA! 
A isto juntamos o abandono, desinvestimento e privatização do Serviço Nacional e Saúde e da Educação. Tudo para que o governo consiga ser o menino bonito dos olhos das Troikas. Preferem um país em ruínas, a um país que renegoceie a dívida, de maneira a garantir crescimento económico e diminua o fosso social. Mais...as imposições de outras Troikas obrigam Portugal a depender do estrangeiro em sectores onde já foi auto-suficiente (pesca e leite).  

Tem o governo vergonha de dizer BASTA, acabar com importações estúpidas e substituí-las por produção nacional. Tem o governo vergonha de aumentar salários e não reduzi-los, pois só assim há aumento real do poder de compra. 



Ainda sobre a educação. Diz ou não diz a Constituição que a escolaridade obrigatória deve ser gratuita? Diz, pois claro! Em vez disso há propinas a pagar nesse ensino obrigatório, além das centenas de euros gastos nos manuais escolares. E durante anos, vários governos e vários presidentes da república foram olhando e colocando no fim da lista de coisas a fazer. Os manuais escolares fazem parte do ensino, tal como todo o material didático, e por isso mesmo deveriam ser gratuitos.  

Alguns dizem "ah...mas isso sai muito caro". Sabem então que se os manuais escolares fossem gratuitos, representaria apenas 1.2% de todo o orçamento do Ministério da Educação? Sabem que por causa desta teimosia, os sucessivos governos acabam por pagar muito mais do que os 1.2% em programas de combate ao abandono escolar. Dessem os manuais escolares a todos os alunos e os programas de combate ao abandono escolar deixariam de ser práticamente necessários. 

Segundo as próprias editoras escolares, as famílias dos 1.4 milhões de alunos vão gastar 80 milhões de euros por esses manuais escolares. Diz o INE que um típico agregado familiar (pai, mãe e filho) gasta por ano em educação, uma média de 894€. Onde ouvimos falar disto? Que se faz para parar isto?  Que imprensa fala disto? 

Pois é, é o costume...