Ninguém duvida que se a Espanha pedir ajuda externa, como tudo leva a crer que irá pedir, a pressão dos mercados vão-se virar para a Itália, que segundo alguns analistas está numa situação pior ainda que a de Espanha. Fiquei então curioso quando Vittorio Grilli, ministro da economia italiano, disse ter um plano para reduzir em 20% a dívida pública do seu país. E que plano é esse? Nada mais do que a venda de edifícios históricos.
Recordamos que a Itália já uma fez algo semelhante quando colocou à venda 394 edifícios históricos no valor de 3.5 mil milhões de euros. Qual foi o resultado? Conseguiu vender 140 edifícios no valor de 860 milhões de euros. Desta vez Grilli está mais ambicioso. Tem 350 edifícios à venda, avaliados em 42 mil milhões de euros. O ministro espera conseguir anualmente entre 15 a 20 mil milhões de euros, num negócio que pode (mas não vai) ascender a 1% do PIB, além de reduzir a dívida pública em 20%. No total, o governo tem imóveis que valem entre 240 e 320 mil milhões de euros. A dívida pública italiana passa actualmente os 123% do PIB.
Aqui pode haver opiniões para todos os gostos. Aqueles que, na minha opinião estupidamente, dizem que o estado deve vender património cultural para saldar dívidas. Vender história e identidade para pagar parvoíces de anos anteriores. Vamos imaginar que têm razão. Então se num ano de menos crise já tentaram vender património e os resultados foram devastadores, o que lhes leva a crer que em plena segunda maior crise italiana a seguir à II Guerra Mundial conseguirão melhores resultados? Se não conseguiram vender antes vão vender agora? A resposta é óbvia!
Mas e pode um estado vender pedaços da identidade de um país para pagar erros do passado? Pelos vistos pode. A história de um país cabe ao estado preservar e conservar, e permitir a visita desses locais gratuitamente. Privatizar a história além de toda a falta de ética, vai levar a que essa história se torne num negócio. "Quer saber e ver a história do seu país? Então tem de pagar entrada."
Como está Portugal no meio disto? Bem...por enquanto ainda não se lembraram de vender o Mosteiro dos Jerónimos...por enquanto disse eu! Mas velho ou novo, estudante ou curioso, se quer saber da história do seu país tem de pagar entrada. Tem de pagar entrada ao Estado, porque aquilo que já paga de impostos não chega para que o Estado permita que conheçamos a história do nosso país gratuitamente.
A solução para crises não está na venda da história de um país. Por exemplo começar por aqui: os deputados italianos são os mais bem pagos da europa, e além do seu salário recebem mensalmente 5000€ para secretariado ou pesquisa, mesmo que escolham trabalhar com o secretariado do parlamento (que já é pago pelo estado, e por isso gratuito) ou não empregar ninguém. Domenico Scilipoti, um deputado de 53 anos, recebe mais de 15.000€ mensais + os 5000€ para secretariado.
E além de, como no nosso parlamento, terem refeições a preços meramente simbólicos, têm ainda cabeleiros, barbeiros e manicuras. Tiveram até de fazer uma casa-de-banho especial para Vladimir Luxuria. Porquê? Porque mudou de sexo, e não é bem vinda/o à casa-de-banhos das senhoras e senhores. Os parlamentares apenas precisam de exercer um mandato para ter direito a toda a pensão da reforma, enquanto que o comum dos italianos tem de trabalhar uma vida inteiro, para um sector de pensões privado.
Além disso, bilhetes para filmes, encargos como telecomunicações, ópera, ou outros bilhetes para espetáculos são à descrição. É pedir e o estado paga. Mas não...tudo isto é necessário para a sobrevivência de Itália...vamos é vender os edifícios históricos.


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