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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A Segurança Social nas lonas


Se há coisa em Portugal que cresce com a nossa dívida é o desemprego. Medidas estão a ser tomadas, diz o governo. Estão, é certo, mas não reparam é que todas as medidas tomadas até agora foram autênticos tiros no pé que estão a aumentar o fosso. Horas nocturnas pagas a 25%, feriados a 50%, bancos de horas e outras ideias brilhantes...para um país que fosse desenvolvido. 



Alguém que receba o ordenado mínimo (485€), tinha nas horas nocturnas e nos feriados uma ajuda essencial no final do mês. Mas não bastou ao governo acabar com alguns feriados, teve ainda a ideia de nos que ainda sobram, permitir às empresas pagar menos aos colaboradores. Num Portugal onde o ordenado mínimo fosse 600€, até admitia dar o corpo ao manifesto. Agora numa crise onde o trabalho precário e ordenado mínimo prolífera, é preciso rebaixar a condição humana a feriados pagos a 50%? 

Para o ordenado mínimo os feriados representavam mais 60€ (apróx.) por feriado no final do mês. Era ajuda ESSENCIAL para quem já de si ganha tão pouco. Poderá o governo escapar-se com "mas a lei permite que as empresas continuassem a pagar o pagavam antes". Pois, e qual é a empresa que não se serve da crise, mesmo tendo lucros, para reduzir onde puder? Se a abébia está dada, a empresa aproveita. As mesmas empresas que têm gestores montados em mercedes, com cartões e seu plafond, com mais e mais regalias são aquelas empresas que dizem que a crise exige uma redução de custos. E conde se corta? Nos mercedes? Não que isso dá estilo...vamos cortar em quem ganha ordenado mínimo. 



O pior é que o governo pensa que é uma boa medida, com todos os indicadores e irem no sentido contrário. O emprego aumenta, principalmente entre jovens e recém-licenciados e é o próprio estado o mais castigado destes resultados. 

A Segurança Social aumentou a despesa com subsídios de desemprego em 22,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Traduzindo, está a gastar mais 273 milhões de euros que o ano passado. Desde o início do ano já gastou 1480 milhões de euros com estes subsídios, resultante dos 15% de taxa de desemprego, o valor mais alto de sempre, apesar deste não ser o valor real. Sobre o valor real (mais de 22%) já aqui falei. 

Consequência directa do aumento do desemprego, e dos gastos da Segurança Social é que as contribuições também descem. Essa descida vai nos 4.4%, e a continuar assim Vítor Gaspar vai ter de tirar da cartola mais um fundo de pensões para juntar à Segurança Social. Quantos não desejam já a concretização da profecia Maia?

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