O Portugal contemporâneo foi sempre um país de emigrantes. Do Estado Novo ao início dos anos 90 foram milhares os portugueses que saíram do país para procurar melhor vida no estrangeiro. A balança entre emigrantes e imigrantes deixou de ficar equilibrada no início do novo milénio, com Portugal a passar a ser país de imigrantes e não de emigrantes. E se temos a agradecer a abertura dos outros países em receberem os nossos portugueses, a mesma coisa deixou de se poder dizer sobre Portugal, a partir de 9 de Agosto deste ano.
Isso porque entrou em vigor a nova Lei que regula a entrada, permanência, saída e expulsão de imigrantes. Uma lei que mais não é que uma cópia vergonhosa da Directiva de Retorno, aprovada pela EU. E vergonhosa é o termo certo, não tivesse esta "Directiva" sido apelida de Directiva da Vergonha.
As novas medidas adoptadas pelo "governo" de coligação permitem a detenção administrativa (nome fino para prisão) de cidadãos estrangeiros que não cometeram qualquer crime, a não ser trabalhar para comer. Trocando por miúdos: Imaginem que um parvo de patrão quer contratar mão de obra barata (e acreditem que esses patrões são muitos), ora o que ele vai procurar é por imigrantes ilegais, acenando com um maço de notas. Os imigrantes aceitam, mas nunca chegam a ver a cor do dinheiro, sendo ameaçados com a denuncia caso parem de trabalhar. O patrão vai preso? Claro que não! Afinal isto é Portugal...quem vai preso e depois deportado é o imigrante!
Esta nova Lei passa também a descriminar os próprios imigrantes. Longe do governo dizer que somos todos iguais. Uma ova é que somos! Não, para o governo há dois tipos de imigrantes: os burros e os licenciados e doutorados. Sim, porque o governo pensa que licenciatura é sinónimo de inteligência (Relvas...ring any bell?). Portugal passa a ficar de braços abertos para os imigrantes que queiram abrir empresas, altamente qualificados e como recompensa têm um Cartão Azul. Depois há os outros imigrantes...a ralé!
Ora isto acontece numa altura em que todo o governo implora a que os jovens procurem emprego lá fora, e assiste-se à saída do país de milhares de portugueses qualificados. Estima-se que 20% dos portugueses que acabem a licenciatura emigrem...avassalador. E o governo impõe esta medida a imigrantes (separando o imigrante rico do pobre) numa altura em que, pela primeira vez desde 1980 o número de imigrantes baixou em Portugal. Portugal deixou de ser ponto de chegada...é um ponto de partida, até para os seus próprios licenciados que têm de procurar subsistência fora daqui.
Com a reforma desta Lei que espera o governo dos portugueses espalhados pelo mundo? Vão passar a ter mais problemas nos países que nos acolhem. Se Portugal não é capaz de tratar bem quem aqui chega a procurar vida nova, porque devem os países que nos recebem tratar-nos como...humanos?!
Espera o governo resolver a crise desta maneira? Mandar os seus jovens embora, abrindo braços ao empresário rico e fechando ao pobre? Como se o empresário rico fosse agora investir num país em ruínas!


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