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terça-feira, 28 de agosto de 2012

69% dos futuros licenciados vai emigrar


Primeiro vamos a dados:  
  • Portugal conta com 1.2 milhões de licenciados, segundo contas dos últimos Censos  
  •  Por ano, abrem uma média de 53 mil novas vagas para o ensino superior  
  • O desemprego entre licenciados aumentou, em apenas um ano, mais de 37%  
  • 10% dos licenciados está sem emprego, ou seja, mais de 120 mil.  



É com este olhar que vamos, ou melhor não vamos, ficar espantados com um estudo feito pelas associações académicas. Mas antes dizer ainda que, apesar de o desemprego de licenciados ser de 10% (120 mil pessoas) é bem capaz de haver entre 30 a 50 mil licenciados que, embora trabalhem, não o fazem na sua área do seu curso. Não porque preferiram assim, ou  porque se apaixonaram por outra área (também acontece), mas sim porque não podem passar fome, têm de ajudar família ou simplesmente não querem ser desempregados de longa duração, e por isso aceitam qualquer emprego.  

Não é por isso de espantar qual tenha sido o resultado obtido pelas associações de estudantes quando perguntaram aos futuros licenciados se querem emigrar no fim do curso. Nos 1751 questionários com respostas válidas, 69% dos inquiridos (1208 alunos) afirmaram querer emigrar assim que terminarem o curso. Mas se antes emigravam por falta de condições de trabalho ou por baixos salários, o motivo agora é outro. 

Além das faltas de condições de trabalho terem ficado ainda piores e dos salários estarem abaixo do nível anedótico, o que leva estes estudantes a querer emigrar é o facto de o mesmo país que lhes pediu milhares de euros para ter um canudo, é o mesmo país que no final de tanto sacrifício não lhes consegue dar um emprego. A primeira razão apontada por estes estudantes é a possibilidade de terem um emprego, com os melhores salários e enriquecimento pessoal a virem na segunda e terceira posições respectivamente.



Estamos num país onde os alunos que desistem do ensino superior por falta de dinheiro está em níveis históricos. Estamos num país onde ser estudante universitário representa também ser trabalhador part-time para poder continuar a ser esse tal estudante universitário. Estamos num país onde pais fazem um esforço sem peso e medida para não retirar ao filho o sonho de ser licenciado. Estamos num país onde os próprios governantes incitam à emigração, por eles também não acreditarem no sucesso do país. Estamos num país onde é possível tirar cursos num ano, onde até ter um cargo num rancho folclórico serve para equivalência numa cadeira. 

Tem Portugal outros problemas por resolver, tanto ou mais urgentes do que a empregabilidade dos licenciados? Tem! Mas daqui a uns anos não sobra mais ninguém para pagar impostos que não seja a população sénior, que a jovem pagará impostos em Inglaterra, Suíça, Luxemburgo, Brasil, Angola, França...



Para os governantes pensarem: Quem está no poder agora sabem quanto pagou de propinas? Zero! (excepto o Relvas que...enfim, já se sabe) As propinas foram ideia o governo de Cavaco Silva (ring any bell?), mais precisamente de uma senhora chamada Manuela Ferreira Leite, na altura ministra da educação. Corria o ano lectivo de 91/92. Contas feitas as propinas na altura era o equivalente a 6.5€ (!!!!!!) e toda a oposição estava contra as propinas. Os estudantes em protesto, nesse ano, não pagaram propinas. Guterres foi quem sucedeu, e o mesmo Guterres que estava contra as propinas, tal como o PS, foi o mesmo Guterres que as aumentou. Ora, desde então as propinas aumentaram mais de 14956%! Se antes das propinas o Estado pagava o ensino superior porque raio os 6.5€ pedidos na altura não chegaram? Se o Estado já pagava essa conta, tudo o que era pago pelos estudantes deveria ser lucro para melhorar o ensino. Melhorou? Meh...pouco, onde anda o dinheiro das propinas? Ondem andam os 1000€ pagos agora por ano, por aluno? Onde está isso aplicado? 

Sobre as propinas na Europa: 
Qual é a situação dos países europeus, no que diz respeito à propina do Ensino Superior?
Dinamarca - A educação superior é inteiramente gratuita. Os estudantes não têm de pagar propinas, nem qualquer outro tipo de contribuição obrigatória para quaisquer associações ou organismos. 
Finlândia - Os alunos que ingressarem na universidade não têm de pagar propinas, mas apenas uma quota obrigatória para os sindicatos de estudantes. Estas verbas servem para ajudar as suas actividades e variam entre 42€ e 84€ por ano. Os serviços de saúde são também cobertos por estas verbas. 
Suécia - Todo o ensino superior é gratuito e os alunos pagam apenas uma quantia para o sindicato dos estudantes. 
Alemanha - As propinas foram abolidas na década de 60 e o ensino superior mantém-se gratuito na maioria dos estados federados. 
Austria - Apenas os alunos estrangeiros que estudam no país pagam propinas. O orçamento federal assegura a quase totalidade do financiamento das universidades e os alunos só têm de pagar uma quota ao organismo que os representa. 
Bélgica - Existem taxas de inscrição e propinas, mas o valor cobrado é simbólico e representa apenas entre 2 a 3% do orçamento para o ensino superior. 
Espanha – As propinas nas universidades públicas variam consoante o tipo de curso, oscilando entre os 480€ e os 850€ anuais. Desde 1983 que as comunidades autónomas assumiram o direito de fixar o nível das prestações, mas dentro de certos limites impostos pelo Conselho das Universidades. E qualquer aumento acima da inflação tem gerado sempre forte contestação social. No Ensino Superior não universitário, as propinas são mais baixas e pagas directamente ao Estado e não às instituições. 
França - Os estudantes têm de pagar, no acto da inscrição, uma propina que é fixada, em cada ano, por decreto do Governo. Os estudantes bolseiros estão isentos de qualquer propina. No entanto, todos os alunos têm de pagar uma taxa para cobrir os serviços de saúde que, em 2002, rondava os 300€ por ano. 
Grécia - O orçamento de Estado e o Programa de Investimento Público financiam na íntegra as instituições de ensino superior. 
Irlanda - Prestações abolidas em 1996/97. Foi o único país a percorrer um caminho inverso, no sentido da abolição das propinas. Nos anos 80, em tempo de severa recessão económica, o Governo decidiu aumentar as propinas para um valor sem precedentes e, em 1994, a Irlanda passou a ser o país da Europa que cobrava as propinas mais altas. Actualmente, apenas uma pequena verba é cobrada aos estudantes para fazer face aos custos inerentes à realização de exames e outros serviços. Os bolseiros estão isentos de pagar. 
Escócia – O ensino superior é gratuito. Há dois anos o executivo escocês aboliu as propinas. 
Luxemburgo - Não são cobradas propinas nem quaisquer taxas adicionais. O dinheiro das universidades vem do Orçamento de Estado, das actividades desenvolvidas pelas instituições, de donativos e das receitas de gestão dos seus próprios recursos. 
Portugal O financiamento do ensino é assegurado por dinheiro privado e pelo orçamento estipulado pelo Governo. A participação das famílias equivale a 14% do orçamento global. Os apoios sociais situam-se em cerca de 10%. A última lei aprovada pela Assembleia da República prevê que o valor da propina oscile entre os 460€ e os 900€ por ano 
in JPN

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