Páginas

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

O Pingo mais Doce

Tempos difíceis ou não, é certo que todos procuram o mais barato. Quando chega a hora de ter comer em cima da mesa com pouco dinheiro, há contas que têm de ser feitas. Por isso promoções como a do Pingo Doce, NO 1º DE MAIO, são bem recebidas, e deveriam acontecer talvez com mais frequência, e quem sabe até, seguida por mais cadeias de hiper-mercados. Mas o Pingo Doce está longe de ser o menino bem comportado no meio disto. 



O Pingo Doce teve um sem número de feriados e fins-de-semana para fazer essa promoção. Mas não, teve de escolher o DIA DO TRABALHADOR. Foi porque calhou? Não há coincidências! Ninguém aqui critica o facto de as pessoas terem ido ao Pingo Doce. Se a promoção vale a pena, podem e devem ir. Mas não podia ter o Pingo Doce escolhido outra data? Claro que podia. 

Apesar do sucesso incontornável da promoção estava de caras que haveria produtos a serem vendidos abaixo do preço de custo. Mas antes disso é preciso fazer uma ressalva. Uma das coisas que faz as grandes superfícies terem preços mais baixos em relação ao pequeno comércio são as duras condições que impõem ao produtor. O produtor está numa prisão governada por estas superfícies, onde são elas a fazer o preço de compra e não o produtor. É como eu ir ao Pingo Doce, encher o carro e chegar à caixa e deixar lá 20€. O produtor é obrigado a aceitar o preço do Pingo Doce, com risco de não conseguir vender o seu produto. E claro...o Pingo Doce compra a 0,50€ um produto que vale 2€ (no produtor), mas vende esse produto a nós consumidores a 5€. E ficamos nós a pensar que o Pingo Doce está a fazer um excelente preço, porque na mercearia do bairro esse mesmo produto está a 8€. Pois...acontece que a mercearia do bairro comprou esse produto ao produtor por 3€, porque não tem a capacidade de compra e imposição do Pingo Doce. 



Voltando aos produtos vendidos no 1º de Maio abaixo do preço de custo. É claro que depois do escândalo, a ASAE não tinha outra solução que não fosse investigar o caso. E no total foram encontradas 15 contra-ordenações de vendas com prejuízo. A multa? São uns meros 30 mil euros, pelos milhões de lucros que a empresa teve. MAS ATENÇÃO, a culpa não é de quem aplicou a multa, porque a multa de 30 mil euros foi o valor mais alto permitido por lei, já que a lei só deixa acumular duas sanções de valor máximo de 15 mil euros. 

Ora, os 30 mil euros!!! Pois bem, 30 mil euros faz o Pingo Doce em MEIA HORA! Meia hora de trabalho é quanto vai custar ao Pingo Doce a multa. Este valor representa 0,02% dos lucros da Jerónimo Martins no primeiro semestre deste ano. Sabem vocês por acaso que caso um trabalhador tenha uma dívida o seu ordenado pode ter um corte de 33%, até ao salário nimo, para pagar essa dívida? 



Por tanto aqui a culpa, além do Pingo Doce, está em quem faz a lei, já que quem a interpretou aplicou pena máxima. Como pode uma grande superfície comercial, que juntamente com o Continente representa 50% do volume de negócios da APED (Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição), pagar uma multa que não tem representação nos dividendos que teve. As dívidas de um trabalhador podem significar a perda de mais de 30% do salário, enquanto que 15 contra-ordenações de vendas com prejuízo pode representar 0,02% dos lucros de um só semestre. Porque não é a multa 33% desses lucros? Isso sim é justiça 

Enquanto nada disto mudar, o crime compensa e escravizar produtores compensa. Se não se importam de mudar o Código de Trabalho de ano em ano para deteriorar as condições do trabalhador, porque não se dão ao trabalho de formular Leis em que essas superfícies comerciais não tenham de pagar um valor fixo, mas sim uma percentagem dos seus lucros? 

via

Sem comentários:

Enviar um comentário