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segunda-feira, 4 de março de 2013

Sobre as 259 candidaturas a Prémio Nobel da Paz




A notícia de que há um recorde de candidatos ao Prémio Nobel da Paz deveria fazer qualquer um feliz, deveria...mas não faz, pelo menos a mim. Não ponho em causa de que poderá haver tanta gente empenhada na solução dos conflitos, não, o que me preocupa é outra coisa.

Vão ser 259 candidatos a serem analisados pelo Comité Nobel, o mesmo Comité Nobel que desde que foi tomado por Thordjorn Jagland tem vindo a ser mais e mais polémico. Recordo que o Comité Nobel sob a liderança de Jadland já entregou o Nobel da Paz a bons samaritanos como Barack Obama (2009) e União Europeia (2012).



No caso de Obama não tenho dúvidas de que o prémio só lhe foi entregue devido às expectativas que a sua personalidade gerou na campanha presidencial dos EUA. No entanto, sentado na cadeira do poder, Obama foi incapaz de acabar com as milhares de bases militares norte-americanas espalhadas pelo mundo, tal como foi incapaz de abandonar os vários cenários de guerra (muitos criados pelos próprios EUA) em que estava metido.



Pelo contrário, os EUA continuaram a espalhar a influência da sua máquina de guerra pelo mundo fora, com maior incidência nos últimos anos no Médio Oriente e África. Mais, em 2010, um ano após receber o Prémio Nobel da Paz, Obama assinava o maior Orçamento de Estado bélico de que há memória, batendo o recorde dos tempos da Guerra do Vietname.

Já a União Europeia, bem, esse prémio foi asneirada da grande. Recebeu o prémio em 2012 quando em 2011 tinha batido o record de vendas de armas, num total de 37.5 mil milhões de euros, um aumento de 18% face a 2010.



O documento oficial onde tais números foram divulgados nem foi comunicado à imprensa, e não é difícil perceber porquê. O Prémio Nobel da Paz é afinal o campeão de venda de armas. É precisamente da Paz que a UE quer fazer um negócio. Só a Alemanha, Reino Unido, Itália, França e Espanha representam 80% do total das exportações de armamentos.



Os principais clientes? Ásia e Médio Oriente, apesar de África ficar também com uma boa fatia. Também não é preciso pensar muito, tendo em conta as regiões, para que países e conflitos se destinou este armamento.

É por isso que não vejo com bons olhos tanta candidatura aos Prémios Nobel da Paz, uma lista de candidatura onde figuram nomes como Bill Clinton. Os escandinavos sempre tiveram fama de boas decisões, mas desde que Jagland chegou ao Comité Nobel que os escandinavos se ficaram por aí, pela fama, e não pelo proveito.

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