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domingo, 14 de outubro de 2012

Chávez e Venezuela...um progresso desviado dos princípios


As eleições na Venezuela fizeram-me pensar na figura de Chávez. Confesso que tenho grande dificuldade em considerá-lo um exemplo, apesar de não ter dúvidas nenhuma de que sirva de tampão para que os EUA não tomem conta de toda a América Latina, na exploração de todos os recursos naturais. Mas há ali algo, em Chávez, que não me convence. Mas que ele ganhou as eleições de forma esmagadora lá isso ganhou. Não é má pessoa, mas infelizmente, chegado ao poder, começou de deteriorar-se, como acontece com muitos outros, desviando-se do que antes eram os seus princípios e objetivos. 



Mas enfim. Chávez ganhou estas eleições com um diferença superior a 10%, numa das mais concorridas eleições de sempre, ficando a diferença entre Chávez e o seu oponente em quase 1.300.000 de votos. O povo quer Chávez no poder, apesar de toda a oposição, e Chávez não faz por tentar esconder essa oposição. Nos últimos 12 anos foram feitas 20 consultas eleitorais. 



Verdade seja dita, também, que a oposição não é mais do que o total oposto de Chávez. Defendem o neoliberalismo, e caso algum dia cheguem ao poder é uma questão de tempo até pedirem resgate financeiro. Nessa altura privatizarão o petróleo, a principal fonte de receita. Esperemos que tal nunca venha a acontecer. O que me faz então estar de pé atrás em relação a Chávez? Vamos por pontos. 



Pontos Positivos: 
  • Analfabetismo quase erradicado 

  • Aumento do número de universidade gratuitas 

  • Aumento do número de reformados 

  • Redução da mortalidade infantil 

  • 111 canais na Venezuela, em que 61 são privados e 37 de Estado. Cada um deles pode fazer oposição, e faz, desafiando Chávez quase todas as semanas. O mesmo se passa com rádio e jornais. Por isso não a ideia de que controla as meios de comunicação não cola, mas há um senão que veremos mais à frente. 

  • 29% da população é pobre. Um número alto, mas que é dos mais baixos da América Latina. Em 1999 essa percentagem era de 49%. 

  • País mais igualitário da América Latina com 0.41 pontos Gini (quanto mais perto do 1 mais desigual). 

Pontos negativos: 
  • Tem a segunda maior taxa de desemprego da América Latina, tendo à sua frente só a Colômbia.

  • Tem o salário minímo mais baixo da América Latina, sendo apenas de 92.90 dólares. Convém ressalvar que foi homologado recentemente, mas não deixa de ser muito baixo. O Haiti, considerado o país mais pobre do mundo e integrante na América Latina, tem um salário minímo de 104 dólares. 

  • A Venezuela gasta apenas 0,58% do PIB na saúde, sendo o valor mais baixo da América Latina. Cuba, por exemplo, gasta 10.30% do PIB. 

  • Apesar da taxa de pobreza ser de 29%, em 2006 era de 26%. Em 1999 era de 49%, agora é de 29%, mas em 2006 era de 26%, quer isto dizer que de 2006 para cá essa taxa tem vindo a aumentar. 

  • Taxa de homicídios triplicou em 12 anos, sendo mais grave ainda quando se trata de um país sem guerras ou grandes manifestações. Existe grande impunidade na criminalidade. Em 1998 por cada 100 homicídios havia 118 detenções. Em 2011, por cada 100 homicídios há apenas 9 detenções. Uma impunidade de 91%. 

  • Apesar de a imprensa poder fazer oposição, os canais de televisão e rádio estão obrigados, por Lei, a transmitir todas as intervenções de Chávez, incluindo o programa semanal de 4 horas. Parece haver um certo culto da personalidade com esta atitude. Chávez usa o seu programa semanal para ameaçar e anunciar trabalho feito, nem que seja a mudança de uma fechadura. 



Todos os dados podem ser consultados no site da CEPAL, o organismo da ONU de estatística para a América Latina. Que concluir então? 

As eleições estão bem ganhas e a Venezuela pode ser um país igualitário. Mas é um país onde, infelizmente, são todos igualitariamente pobres e a enfrentar dificuldades. Estamos a falar de um país onde 94% das exportações tem origem petrolífera, mas que quando acabar o ouro negro fica sem nada. Essa riqueza vai esgotar, provavelmente não será durante o mandato de Chávez, mas aí estará outro no poder e Chávez estará fora de cena. Mas terá sido dele a grande culpa de não ter posto a Venezuela a produzir outra coisa que não petróleo. 

Como gostava de estar errado. 

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